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Cleber Toledo
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Cleber Toledo é jornalista desde 1992, com passagens por jornais em Paraná, São Paulo e Tocantins. Fundador do Portal CT.

Os desafios do PMDB no pós-Kátia

CLEBER TOLEDO 24 de Nov de 2017 - 10h12
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Chegada de Kátia ao PMDB em 2013: um problema plantado para resolver outro em andamento
O PMDB do Tocantins anseia viver tempos de calmaria depois de anos de mar revolto encerrados nessa quinta-feira, 23, com a expulsão da senadora Kátia Abreu pela Comissão de Ética e Disciplina. Um imenso abacaxi foi descascado e descartado. No entanto, bonança não é uma marca dos peemedebistas tocantinenses, que se engalfinham desde as eleições de 2002, com curtos períodos de armistício. Com o problema Kátia Abreu de página virada, o PMDB tem espinhosos desafios pré-eleitorais que devem ganhar destaque em sua agenda.

Claro que falar em ética no PMDB nestes dias é algo muito estranho para um partido que tem os principais líderes ou presos, ou denunciados, ou se escondendo atrás da base no Congresso. Contudo, a senadora Kátia Abreu há de convir que ultrapassou todos os limites. Ela tinha todo direito de ficar com a ex-presidente Dilma e o PT, de discordar e até criticar acidamente os líderes peemedebistas, mas deveria ter deixado a sigla lá atrás, quando as divergências se acirraram, para que fizesse isso sem ferir a disciplina partidária. É o que o bom senso e a civilidade esperam.

Ao agir como agiu, não resta dúvida, Kátia feriu a ética e a disciplina de qualquer sigla em que estivesse, não só do PMDB. Por isso, ainda que as avaliações gerais concordem com as críticas dela ao partido — não é isso que está em discussão —, a decisão da Comissão de Ética foi acertada.

Como a senadora reagiria se, no comando de um partido, algum filiado agisse como ela agiu? Novamente: não se discute o mérito das críticas, e o PMDB as merece, mas a forma, totalmente incompatível. O discurso da senadora de que lutou "pela independência de ideias e por acreditar que um partido deve ser um espaço plural de debates”, por exemplo, não coaduna com a forma como ela sempre conduziu os partidos que comandou, com mão de ferro, na filosofia do “eu falo e você escuta”.

Mas, com esse abacaxi, enfim, descascado, o PMDB do Tocantins vive o dia seguinte sem esquecer da história. O partido começou a divergir fortemente nas eleições de 2002, quando lançou Freire Júnior a governador. A relação entre os caciques se desgastou ao ponto de o candidato daquele ano ter deixado a sigla para aderir em 2005 a seu maior adversário, Siqueira Campos (DEM). Mais de uma década depois, Freire voltou às fileiras peemedebistas.

Depois veio a disputa política e judicial pelo comando com o então senador Leomar Quintanilha, que deixou o PFL — hoje DEM — para assumir em 2003 o comando do PMDB do Tocantins. Esta crise só terminou após as eleições de 2004, quando a presidência, após acordo, passou para as mãos do então deputado federal Osvaldo Reis.

Com a filiação do governador Marcelo Miranda, em 2005, logo após o rompimento da finada União do Tocantins, nova crise. Os caciques se revoltaram com o novo aliado, porque não abria espaço para o PMDB na gestão. Tensão rapidamente debelada.

Veio um período de relativa paz até a cassação de Marcelo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2009. O novo governador, Carlos Gaguim, que já estava estremecido com os Miranda desde a eleição para a presidência da Assembleia em 2007, puxou o comando do partido para seu grupo, rachando a legenda.

Com a derrota eleitoral de 2010, o PMDB começou uma disputa interna com o novo presidente, o então deputado federal Júnior Coimbra. A situação se agravou nas eleições municipais de 2012, quando a legenda é levada a apoiar candidaturas da base de Siqueira em Palmas, com Marcelo Lelis (PV), e em Araguaína, com Ronaldo Dimas (PR). O PMDB indicou o candidato a vice dos dois.

É deflagrada uma nova guerra, e o grupo de Marcelo tentava retirar Coimbra da presidência. A batalha judicial expelia e derrubava liminares de lado a lado. Em setembro de 2013, vem a solução que se mostraria, num curto prazo, a semente de outro tempo de incertezas: a filiação da senadora Kátia Abreu. Ela foi fundamental naquele período. Com o apoio do então vice-presidente Michel Temer, Kátia se mostrou decisiva para o grupo de Marcelo retomar, por caminhos tortuosos — até intervenção nos diretórios municipais —, o controle da estrutura partidária.

Depois de longa luta com Kátia, que durou da posse de Marcelo até essa quinta-feira, o PMDB tocantinense consegue respirar aliviado. Ou quase. Agora precisa se concentrar em ajudar seu governador a buscar a consolidação de uma candidatura competitiva à reeleição. Em meio a toda essa crise interna, o partido ficou alheio ao debate sobre a maior recessão que o Tocantins já enfrentou.

Com todas as críticas, erros e acertos do governo, a boa notícia é que os servidores do Estado, fundamentais para a movimentação da economia tocantinense, estão recebendo seus salários sem ficar um mês para trás. Marcelo enfrentará em dezembro seu maior desafio de gestão até agora, o pagamento do décimo terceiro. Informações de bastidores mostram que os esforços do Palácio neste sentido são redobrados. De outro lado, a situação fiscal do Estado se deteriorou nos últimos meses.

É com este cenário que o PMDB do Estado vai se deparar agora, e precisa debater com seu governo as soluções e os caminhos possíveis. Os problemas são diversos e os mais profundos, e os correligionários de Marcelo se veem instigados a ajudá-lo a dar a volta por cima.

Assim, como se vê, a crise aberta por Kátia, apesar de muito barulhenta pelo estilo peculiar dela, não é nada perto dos desafios que o PMDB tem pela frente.

CT, Palmas, 24 de novembro de 2017.

Jornalista de Época diz que expulsão de Kátia Abreu do PMDB animou o PDT

CLEBER TOLEDO 23 de Nov de 2017 - 18h32
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O jornalista Murilo Ramos, da coluna Expresso, do site da revista Época, disse que a expulsão da senadora Kátia Abreu do PMDB, nesta quinta-feira, 23, reacendeu a esperança do PDT em tê-la em suas fileiras para concorrer ao governo do Tocantins no ano que vem.

Segundo o jornalista, as conversas entre Kátia e o presidente do PDT, Carlos Lupi, haviam esfriado. Murilo Ramos afirmou que a senadora tocantinense ainda acreditava que se sustentaria no PMDB por causa das alianças regionais que interessam à cúpula da legenda.

O colunista disse que o PDT quer uma candidatura forte no Estado, para servir de palanque a Ciro Gomes, seu pré-candidato ao Palácio do Planalto.

No Tocantins, o partido está sob comando do ex-deputado federal Ângelo Agnoli. Semana passada ele participou de um evento em sua cidade, Gurupi, ao lado de Kátia.

Ao blog, importantes pedetistas já demonstraram, no entanto, preocupação com o possível ingresso de Kátia

Kátia é informada da expulsão do PMDB durante evento nos EUA, diz O Antagonista

CLEBER TOLEDO 23 de Nov de 2017 - 16h43
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O site O Antagonista afirmou que a senadora Kátia Abreu foi informada nos Estados Unidos de sua expulsão do PMDB nesta quinta-feira, 23. Ela participa de um evento sobre o cenário político brasileiro na Universidade Yale, em Connecticut, e ainda não retornou.

A Comissão de Ética e Disciplina do PMDB nacional aprovou na manhã desta quinta-feira, 23, por 6 votos a 0, a expulsão da senadora do partido. Kátia respondeu a processo disciplinar pelas agressões públicas a membros dos diretórios nacional e regional e autoridades peemedebista, como o governador Marcelo Miranda, o presidente Michel Temer e ministros. Além disso, pelos votos contra a orientação do PMDB no Senado.

Presidente nacional do PMDB, Romero Jucá é comunicado da expulsão de Kátia

CLEBER TOLEDO 23 de Nov de 2017 - 14h22
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Presidente Romero Jucá recebe o ofício com o comunicado sobre a expulsão da senadora Kátia Abreu
O presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (RR), foi comunicado no início da tarde desta quinta-feira, 23, da decisão da Comissão de Ética e Disciplina de expulsar a senadora tocantinense Kátia Abreu do partido. Jucá recebeu os membros da comissão no diretório nacional, em Brasília.

O documento, assinado pelo presidente da comissão, Eduardo Karuse, também pede que Jucá tome “as providências necessárias ao cumprimento da decisão”.

Segundo a relatora Rosy Rainha disse ao CT no final da manhã, a expulsão não passará por nova decisão da executiva nacional, que apenas comunicará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) do cancelamento da filiação de Kátia.

O jornal Folha de S.Paulo disse que a senadora ainda poderá recorrer à executiva nacional. Ela tentou por duas vezes suspender o processo de expulsão na Justiça do Distrito Federal, mas perdeu nas duas ocasiões.

Katia foi expulsa por atacar membros e autoridades regionais e nacionais do PMDB e por ter votado no Senado contra a orientação do partido.

Confira a seguir a íntegra do documento recebido pelo presidente nacional do PMDB, Romero Jucá:



Comissão de Ética expulsa Kátia Abreu do PMDB; decisão já será comunicada ao TRE e ao TSE

CLEBER TOLEDO 23 de Nov de 2017 - 11h20
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A Comissão de Ética e Disciplina do PMDB nacional aprovou na manhã desta quinta-feira, 23, por 6 votos a 0, a expulsão da senadora Kátia Abreu do partido. A parlamentar respondeu a processo disciplinar pelas agressões públicas a membros dos diretórios nacional e regional e autoridades peemedebista, como o governador Marcelo Miranda, o presidente Michel Temer e ministros. Além disso, pelos votos contra a orientação do PMDB no Senado.

A relatora do caso de Kátia na comissão, Rose Rainha, disse ao CT logo após a decisão da comissão que a decisão não precisará passar por aprovação da executiva nacional. “Vamos comunicar o presidente do partido [senador Romero Jucá] e e ele vai oficiar o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] e o TRE [Tribunal Regional Eleitoral] aí do Tocantins”, explicou a relatora. Ela disse que Kátia já está expulsa e sua filiação partidária será cancelada.

Desde as eleições de 2014
A crise da senadora tocantinense com o PMDB começou logo após as eleições de 2014. Depois de conseguir a intervenção nacional nos diretórios municipais do Estado para garantir legenda a ela e ao governador Marcelo Miranda para aquelas eleições, Kátia chegou à presidência da comissão interventora da sigla no Tocantins.

Antes da posse, a parlamentar teve uma briga homérica com Marcelo, por não ter sido atendida com as secretarias que exigia, e já se tornou oposição ao novo governo. Num acordo com a executiva nacional, ficou definido que os dois grupos passariam a dividir a executiva regional meio a meio, mas a presidência do PMDB do Tocantins ficou com um marcelista, Derval de Paiva.

Com o recrudescimento da crise do governo da presidente Dilma Rousseff (PT), Kátia, que era ministra da Agricultura, ficou ao lado da amiga e contra seu agora ex-partido, o PMDB. Atacou líderes nacionais da legenda e se tornou comandante do pelotão de choque de Dilma no Senado. Foi dela que partiu a polêmica proposta de não tirar os direitos políticos da ex-presidente.

Em março do ano passado, o então presidente do diretório do PMDB da Bahia, Geddel Vieira Lima, ingressou com o primeiro pedido de expulsão de Kátia. Com as tentativas de negociação, o processo seguiu em banho maria. No final do primeiro semestre deste ano, o diretório do Tocantins e a juventude do PMDB apresentaram dois outros pedidos de expulsão, que basearam a decisão desta quinta-feira.

O primeiro passo foi a decisão de 13 de setembro da executiva nacional, também com base em processo na Comissão de Ética, de suspender Kátia das atividades partidárias por 60 dias.

Na Justiça
Diante da possibilidade de ser expulsa da legenda, a tocantinense chegou a ingressar com ação na Justiça do Distrito Federal para suspender o procedimento, entretanto, o pedido liminar foi rejeitado pela 25º Vara Cível de Brasília, e também pela desembargadora Leila Arlanch, do Tribunal de Justiça (TJDF), após a apresentação de agravo de instrumento.
Redação: Palmas, Tocantins, Brasil, +55 (63) 9 9219.5340, +55 (63) 9 9216.9026, redacao@clebertoledo.com.br
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