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Ação humana é a responsável pelos incêndios florestais que colocam o TO em 4º num ranking de destruição

Apenas 2% são atribuídos a fatores naturais, diz o pesquisador do Centro de Monitoramento Ambiental e Manejo do Fogo, Jader Cachoeira

WENDY ALMEIDA, DA REDAÇÃO 13 de Oct de 2017 - 08h22, atualizado às 10h55
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Foto: Divulgação
Dados de todos os satélites de monitoramento informaram 172.984 indicadores de queimadas e/ou incêndios florestais de 1º de setembro a 10 de outubro
Tempo seco, altas temperaturas, vegetação morta, baixa umidade relativa do ar e escassez de chuvas são as características do clima tocantinense nessa época do ano, mas também configura o ambiente ideal para a ocorrência de incêndios florestais. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no ranking nacional, o Tocantins ocupa a quarta posição com maior número de focos.

O pesquisador do Centro de Monitoramento Ambiental e Manejo do Fogo (Cemaf), Jader Cachoeira, informou, em entrevista ao CT, que no mês de setembro os números de focos de calor estavam bem acima do que foi registrado no mesmo período de anos anteriores.

Conforme monitoramento do Inpe, os dados de todos os satélites de monitoramento informaram 172.984 indicadores de queimadas e/ou incêndios florestais, somente no período de 1º de setembro a 10 de outubro.

Já os dados de satélites de referência informaram apenas 19.975 focos de incêndios de janeiro até terça-feira, 10. O índice é o mais alto em sete anos. Em comparação com 2016, que registrou 12.524 focos, o aumento é de 60%. No ranking nacional, o Tocantins é o quarto Estado com maior número de focos, perdendo apenas para o Pará (45.247), Mato Grosso (40.009) e Maranhão (24.354).

Ação do homem
De acordo com o especialista, o fogo é a principal ferramenta de uso no manejo agropastoril, mas a utilização descontrolada desse elemento acaba causando o incêndio. “O acúmulo de material combustível, que é a vegetação morta, associado a seca, que tem sido mais prolongada esse ano, e ao uso desordenado, são os fatores que levam a ocorrência de incêndios florestais”, pontua, ao esclarecer que a queimada é uma prática que utiliza o fogo de forma controlada e o incêndio florestal é o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação.

Foto: Divulgação
Cachoeira: "Quando se fala em incêndios florestais, nós temos que ter em mente que o principal fator para ocorrência deles é o fator humano"
O integrante do Cemaf afirma que as ocorrências de incêndios se dão em grande parte por ação humana. “Quando se fala em incêndios florestais, nós temos que ter em mente que o principal fator para ocorrência deles é o fator humano. As causas naturais entram aí numa estatística bem pequena, basicamente só 2% dos incêndios são atribuídos a fatores naturais”, contabiliza.

O major do Corpo de Bombeiros, Erisvaldo Alves, confirmou ao CT que os incêndios possuem origem antrópica. “Bituca de cigarro, cacos de vidros, esses tipos de objetos não dão início a um incêndio. É sempre uma ação humana”, apontou. “Foi uma ação humana que provocou aquilo e gerou todos os transtornos, pode até não ser doloso, mas é culposo”, reforçou o militar.

“Com fogo não se brinca”
Para diminuir esses índices, o pesquisador Jader Cachoeira, afirma que é necessário a sociedade se conscientizar de que “com fogo não se brinca”. “O entendimento do fogo demanda pesquisa, investimento, trabalho com setores e órgãos que tem capacidade de aplicá-lo. Então, antes de usar é importante primeiro buscar a informação e saber se realmente é preciso e se é possível utilizar o fogo”, orienta Cachoeira, acrescentando que os interessados devem procurar o Naturatins, Ruraltins, ou o próprio Cemaf.

Combate ao fogo
Nos últimos meses os incêndios tem devastado o cerrado tocantinense e causado transtornos. Na região de Carmolândia, no norte do Tocantins, por exemplo, o fogo devastou pelo menos dez fazendas causando prejuízo para várias famílias e até morte de uma pessoa. Mais de mil animais também morreram.

Apesar dos índices alarmantes, o pesquisador destacou que os órgãos públicos vêm realizando ações “enérgicas”, como forças-tarefas, para combater os incêndios. Ele ponderou que quando o fenômeno já está ocorrendo, existe um “lapso temporal” até surtir o efeito, “que não é tão rápido quanto a gente quer”.

Major Alves confirmou que vários órgãos municipais, estaduais e federais estão envolvidos nas ações de combate para dar uma "resposta rápida" para a população. “Nós temos um grande número de focos também em áreas de preservação, indígenas, parques, mas as nossas equipes estão ali atuando”, ressaltou o major Alves, acrescentando que o governo, em parceria com o governo federal, montou uma força-tarefa para combater os incêndios nessas regiões.

Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, no dia-a-dia, as ações são realizadas nas zonas urbanas, no combate ao fogo em lotes baldios e áreas verdes. Alves afirmou que as ocorrências nesses locais também têm sido significativas.

Foto:  Marcio Vieira/Secom Tocantins
Major Alves: “Se a população não colocar fogo, se nós não tivermos um número de 19 mil focos, com certeza, o trabalho fica mais otimizado"
O major destacou que mais importante do que a contratação de pessoal para combate de incêndios, é a prevenção da ocorrência. “Devido a gama de atividades que a gente desenvolve, quanto mais bombeiro militar, melhor, mas não existe uma relação retilínea entre quantidade de bombeiros militares e não pegar fogo. O que a gente precisa trabalhar é a questão da prevenção”, pontuou.

“Se a população não colocar fogo, se nós não tivermos um número de 19 mil focos, com certeza o trabalho fica mais otimizado e melhor tanto para população, quanto para gente também”, avaliou o major, ressaltando que é preciso envolver as secretarias de Educação, além de órgãos ambientais no trabalho de conscientização e prevenção do fogo.

Pesquisa e Prevenção
O Centro de Monitoramento Ambiental e Manejo do Fogo implantado na UFT, campus de Gurupi, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos tem buscado analisar mecanismos rápidos, com o uso de imagens de satélite, principalmente o sensoriamento remoto, para melhorar a capacidade de “previsão” de áreas de riscos de incêndios.

“A gente tem buscado aperfeiçoar os mecanismos para desenvolver melhores técnicas e identificar áreas de riscos por cada tipo de região, porque eu não posso comparar a região sudeste com a centro-oeste, são áreas de vegetação distintas. Então, a ferramenta é buscar a modelagem do comportamento do fogo, qual o tipo de material combustível, como vai ser o combate ao fogo e que uso do solo está associado para o risco de um incêndio florestal”, explicou o especialista.

Na outra ponta, o Corpo de Bombeiros atua para dar uma resposta rápida, em caso de emergência, mas também realiza palestras nas escolas. Já a Defesa Civil Estadual é responsável pelo trabalho educativo e preventivo, além da formação de brigadistas nos municípios.

Em caso de ocorrências de incêndios, o Major orienta a população a não tentar apagar o fogo sozinha, mas entrar em contato com o Corpo de Bombeiros pelo 193, Defesa Civil (63) 3218-4732, ou a brigada do município.

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