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Mãe de professora assassinada diz que médico era "agressivo, psicopata": "Danielle tinha medo dele"

Simara lustosa mencionou que a filha estava com vários hematomas pelo corpo, mas não foram encontradas impressões digitais do autor do crime

WENDY ALMEIDA, DA REDAÇÃO 20 de Dec de 2017 - 19h03, atualizado às 08h34
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Foto: Reprodução/Facebook
Simara Lustosa sobre o assassinato da única filha mulher [foto]: "Levaram um pedaço de mim"
Em entrevista exclusiva ao CT nesta quarta-feira, 20, Simara Lustosa, mãe da professora assassinada em Palmas, Danielle Christina Lustosa Grohs, falou sobre o relacionamento "tumultuado" da vítima com o ex-marido, o médico Álvaro Silva, que é o principal suspeito do crime. Emocionada, Simara não apontou o médico como assassino, mas revelou que ele tinha o comportamento "extremamente agressivo" e de "psicopata": "Danielle dizia que tinha medo dele".

Simara contou que a convivência do casal, durante cerca de 20 anos, foi difícil. "Não por causa dela. Ela sempre teve muita paciência, cuidava dele, mas ele nunca foi bom pra ela. Sempre foi um homem arrogante, muito mal-educado e mesquinho pra ela. Tratava ela só no grito", relatou.

"Ele não respeitava ninguém. Não dava sossego. Quando ela foi lá para casa passear, ele ligava independente do horário, só para incomodar, para saber onde ela estava. Esse homem é psicopata. Eu não afirmo que seja ele [o assassino], mas eu acredito que se a polícia for bem a fundo vai descobrir", acrescentou, ressaltando que a filha confidenciava para ela o comportamento do ex-marido.

Tanto que a professora chegou a contar para a mãe da agressão sofrida no sábado, 16. "Ela disse que ele a tentou matar sufocada", lembrou Simara. Neste dia, Danielle registrou o boletim de ocorrência e o ex-marido chegou a ser detido em flagrante e passou a noite na prisão, mas foi liberado após audiência de custódia.

Para tentar evitar o desfecho trágico desse relacionamento, Simara afirmou que chegou a aconselhar a filha por diversas vezes a deixar Palmas e voltar para o Sul. Entretanto, a professora, que era concursada, preferiu continuar residindo na Capital. "Ela realmente gostava daqui, do trabalho, do pessoal. Ela tem amigos aqui que eu fiquei admirada".

O casal estava em processo de separação já há dois anos. Conforme Simara, durante esse tempo o médico até teria se envolvido com outra pessoa, mas também separou. "Eu acho que ele não parava com ninguém. Ninguém suportava ele. Ela que aguentava, porque era muito tranquila".

De acordo com Simara, Danielle era também uma pessoa "maravilhosa". "Não é por ser minha filha. Ela era uma pessoa cheia de alegria e amor pela vida, que gostava de animais [...] Levaram um pedaço de mim", afirmou emocionada.

Crime premeditado
Para a mãe de Danielle, o crime foi premeditado e o assassino é uma pessoa próxima, que conhecia os animais e tinha as chaves da casa. Segundo Simara, os policiais encontraram a vítima morta dentro de um dos quartos fechado com os oito cachorros que pertenciam a ela.

"Quem recolheu esses cachorros é gente que conhece e se dá com eles porque esses cachorros são bravos. Uma pessoa estranha não conseguiria entrar lá dentro. Eles não iam deixar. Eu não posso te afirmar quem foi porque eu vou ter que esperar a Justiça realmente descobrir, mas quem matou conhecia ela, todo andamento da casa, tinha a chave de lá porque não roubou nada, não arrombou. Entrou, saiu e fechou", detalhou.

Apesar de não acusar o ex-marido de Danielle, Simara afirmou que a Polícia e a Justiça falharam em relação a medida protetiva de sua filha. Ela mencionou que Silva respondia vários processos por violência doméstica, inclusive uma ação penal, e chegou a ameaçar a docente.

"Várias vezes ele tinha dito que ia matá-la. Ele já tinha batido nela, já tinha outras ocorrências, tentou sufocar ela no sábado e deu muitos pontapés. Ela me contou isso por telefone, acho que poucas horas antes de morrer", relatou Simara, lembrando que Danielle já estava com a passagem comprada para viajar de férias para o Sul no sábado, 23.

Durante a entrevista, Simara contou que Danielle estava com vários hematomas pelo corpo, mas que não foram encontradas impressões digitais do assassino. "Ela sofreu muito para morrer. O pouco tempo que esse indivíduo ficou com minha filha nas mãos fez ela sofrer por toda idade dela. Mas a pessoa que fez deve ter usado luva. É pessoa que entende. Foi tudo premeditado porque senão teria ficado as digitais das mãos", apontou.

Provar inocência
A mãe da vítima falou ainda ao CT sobre as declarações de Silva à imprensa de que não teria sido ele o autor do assassinato. Para ela, uma pessoa que "não deve, não foge", mas tenta provar a inocência.

"É muito fácil negar uma coisa que quando a pessoa faz, faz bem feito. Não deixa impressão digital, não deixa nada. Eu não estou acusando porque eu não sei ainda. Mas a Justiça e a Polícia vão descobrir", comentou.

Em entrevista ao AF Notícias, o médico negou que tenha matado a professora. "Não tenho nada a ver com esse crime bárbaro. Estou em viagem e fiquei sabendo ontem [segunda] à noite", disse, afirmando ter "diversos álibis" e que vai provar sua inocência.

Sobre as agressões que ocasionaram a prisão, Silva alegou que foi apenas uma discussão e que somente teria tomado o celular da mão de Danielle. Ele também afirmou que não fugiu e quer que tudo seja apurado.

O médico ainda contou ao jornal que viajou na segunda-feira, 18, e retornará no dia 26. "Meus advogados já estão tomando as providências necessárias e só se manifestarão quando eu retornar".

Mensagens
Apesar de não ter contato com o ex-marido, Simara disse que ele tem enviado mensagens por meio de uma rede social ironizando a causa da morte de Danielle. ''Ele entrou no meu Messenger e está sendo bem sarcástico, bem cínico, dizendo que quer mandar flores, que ela deve ter se afogado com a fumaça do cigarro, que o cigarro sufocou ela. Como é que uma pessoa que não faz nada vai saber que ela foi sufocada?", questionou.

"É um absurdo. Uma pessoa que debocha da própria Lei Maria da Penha, como ele debochou. Ainda disse que quem falasse alguma coisa dele iria processar. Ele disse que eu tinha que provar, porque a Justiça não tinha nada contra ele. Ele é psicopata, um arrogante", acrescentou a mãe de Danielle.

Caso seja comprovado que o médico seja autor do assassinato, Simara disse que vai lutar para que ele não tenha regalias e o crime não fique impune. "Eu não quero que seja mais um nas estatísticas. Quem fez eu quero que apodreça na cadeia", frisou.

Sepultamento
O corpo de Danielle foi velado em Palmas nesta terça-feira, 19, e segue para Rio Negro, que fica no Paraná, cidade natal da professora, para ser sepultado. Simara explicou que decidiu não cremar a filha porque pode ser necessária posterior exumação.

"Nós não vamos cremar porque, como ela foi assassinada, pode precisar fazer a exumação do cadáver mais tarde e se nós fizermos a cremação não tem como fazer isso depois", afirmou.

"Agora, a gente vai até o final para descobrir. Quem matou minha filha não vai ficar impune. A Justiça pode demorar e pode ser um pouco falha, mas nós vamos continuar cobrando".

Simara Lustosa que tem mais dois filhos disse estar muito cansada. Após passar noites sem dormir, retorna de avião para Curitiba ainda nesta quarta-feira e segue também para Rio Negro, para dar o último adeus a Danielle.

Confira as mensagens que familiares da vítima postaram em uma rede social:





Investigação
Em nota ao CT, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) informou que a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas está com o inquérito bastante adiantado, mantendo ainda todas as linhas de investigação em andamento.

Segundo a pasta, o ex-marido da vítima não foi encontrado nos endereços residencial e profissional na Capital, não sendo, portanto, possível a intimação pessoal do mesmo para comparecimento a unidade policial e realização da colheita de suas declarações, consideradas "extremamente importantes para o curso do procedimento policial".

Entenda
A professora da rede municipal de ensino de Palmas foi encontrada morta no início da noite desta segunda-feira, 18, em sua residência, que fica na Quadra 1.104 Sul, com indícios de estrangulamento.

A suspeita da polícia é que a docente tenha sido vítima de homicídio do próprio ex-marido (feminicídio), já que ele a havia ameaçado e respondia a seis processos por violência doméstica. O médico, porém, nega a autoria do crime.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontando a causa da morte deve sair em até 15 dias.

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