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Advogado diz que vizinhos viram ex-marido deixar casa de Danielle no dia em que o corpo foi encontrado

Conforme Edson Ferreira Alecrim, não havia sinais de arrombamento, a porta da frente estava fechada, mas a do fundo, aberta: "Foi horrível o estado que ela estava"

Da Redação 23 de Dec de 2017 - 02h18, atualizado às 09h26
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Foto: Reprodução/Faceboock
 Edson Ferreira Alecrim, advogado de Danielle [foto]: "A pessoa que cometeu esse crime eu considero que não é um ser humano"
Edson Ferreira Alecrim, advogado da professora Danielle Christina Lustosa Grohs, encontrada morta em sua residência nesta segunda-feira, 18, conversou com o CT nesta sexta-feira, 22, e relatou que outras pessoas já haviam sofrido agressão e ameaças do ex-marido da vítima, Álvaro Silva, inclusive ele. Para o advogado, todos os fatos "leva a crer" que o médico é o autor do crime.

"Ela falava que o Álvaro sempre foi agressivo, brigavam, ele batia nela e ela sempre tolerando pra ver se a pessoa mudava, mas ela disse que não tinha jeito. No sábado [16] ele tentou estrangular ela e como não conseguiu ameaçou matar ela. Além disso, eu tive informação que vizinhos afirmaram ter visto ele saindo da casa às 7 horas da manhã, na segunda-feira [dia em que o corpo da professora foi encontrado]. Então, tudo tem uma ligação de que quem cometeu o crime realmente foi ele", argumentou.

Desde 2016, Alecrim prestava serviços de advocacia para Danielle no processo de separação de corpos e divisão de bens. Com a morte da professora, a família pediu que ele continuasse dando assistência.

O último contato do advogado com Danielle foi no domingo, por volta das 20 horas. "Ela me contou que estava só em casa", lembrou. No momento que a polícia encontrou o corpo da professora, após ligação da mãe, Simara Lustosa, informando o desaparecimento, Alecrim estava presente.

''Não havia sinais de arrombamento. A porta da frente estava fechada, mas a do fundo estava aberta. Foi horrível o estado que ela estava. A pessoa que cometeu esse crime eu considero que não é um ser humano. É mais do que um psicopata e não deve viver no meio da sociedade. Uma pessoa dessa não pode ficar impune, não pode", ressaltou o advogado.

Histórico agressivo
Conforme apurou o CT Silva já respondia processos por crime de violência doméstica, inclusive uma ação penal. Danielle já havia registrado três denúncias contra o ex-marido. Em uma das ações, o médico até chegou a prestar serviços comunitários como pena.

Ainda em 2016, a Justiça concedeu a medida protetiva provisória que obrigava Silva a manter 500 metros de distância da ex-esposa. Entretanto, Alecrim afirma que a ordem judicial não estava sendo cumprida.

Foto: Divulgação
Foto do pescoço de Danielle, tirada no sábado, com a marca de vermelhidão da agressão que teria sido cometida pelo ex-marido
No sábado, 16, Danielle registrou boletim de ocorrência por agressão. O ex-marido chegou a ser detido e passou a noite na prisão. Após audiência de custódia, no dia seguinte, ele foi liberado, conforme Alecrim, apesar do Ministério Público e do delegado do caso pedirem para mantê-lo detido. "Infelizmente, o juiz de Direito, no uso de suas atribuições, soltou e sem que ele pagasse nenhum valor de fiança. Provavelmente, ele saiu de lá revoltado e foi concluir o serviço, praticar o crime", considerou.

No momento da prisão, segundo o advogado, Silva apresentou resistência e também agrediu um dos policiais que foi atender a ocorrência na casa da professora. O profissional registrou queixa contra o médico e fez exame de corpo de delito.

No processo de separação, afirma Alecrim, um dos assuntos que gerava desentendimento entre o casal era a partilha de bens. Em outra ocorrência, o médico foi na casa da vítima "com dois comparsas, bateu nela e tomou um carro e uma moto que estava com ela", contou o advogado.

"Ele já afirmou em processo e em audiência que não ia dar nada para Danielle porque nada era dela. Na verdade, os dois construíram o imóvel juntos, mas o processo está no Judiciário e a qualquer momento o juiz vai dar a sentença sobre a divisão dos bens".

Além dessas ocorrências, o advogado relatou que em meio a uma discussão o médico também teria agredido e ameaçado o membro de uma instituição religiosa da qual a ex-esposa fazia parte. O caso também foi parar na delegacia.

"Danielle cedeu parte do imóvel para o grupo ficar lá, mas o Álvaro queria tirar eles de lá a força. Até que agora em dezembro conseguiu. Após a saída desse pessoal, que até protegia a Danielle, pois qualquer coisa podia chamar a polícia, aconteceu o homicídio", disse, ao acrescentar que também chegou a ser ameaçado pelo médico.

Investigação
O CT acionou a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) solicitando informações sobre o andamento das investigações, mas a pasta informou que não há novidades.

O caso está sob segredo de Justiça e a Polícia trabalha ainda com todas as linhas de investigação. Contudo, a prisão do ex-marido da vítima, que é considerado o principal suspeito, foi decretada e ele se encontra foragido.

Entenda
A professora da rede municipal de ensino de Palmas foi encontrada morta no início da noite desta segunda-feira, 18, em sua residência, que fica na Quadra 1.104 Sul, com indícios de estrangulamento.

A suspeita da polícia é que a docente tenha sido vítima de homicídio pelo próprio ex-marido (feminicídio), já que ele a teria ameaçado e respondia a processos por violência doméstica.

Em entrevista ao AF Notícias, o médico negou que tenha matado a professora. "Não tenho nada a ver com esse crime bárbaro. Estou em viagem e fiquei sabendo ontem [segunda] à noite", disse, afirmando ter "diversos álibis" e que vai provar sua inocência.

Sobre as agressões que ocasionaram a prisão, Silva alegou que foi apenas uma discussão e que somente teria tomado o celular da mão de Danielle. Ele também afirmou que não fugiu e quer que tudo seja apurado.

Simara Lustosa, mãe da professora, contou ao CT que o relacionamento do casal era "tumultuado". Ela não apontou o médico como assassino, mas revelou que ele tinha o comportamento "extremamente agressivo" e de "psicopata": "Danielle dizia que tinha medo dele".

Para a mãe de Danielle, o crime foi premeditado e o assassino é uma pessoa próxima, que conhecia os animais e tinha as chaves da casa. Apesar de não acusar o ex-marido de Danielle, Simara afirmou que a Polícia e a Justiça falharam em relação a medida protetiva de sua filha.

O corpo de Danielle foi velado em Palmas nesta terça-feira, 19, e seguiu para Rio Negro, que fica no Paraná, cidade natal da professora, onde foi sepultado na tarde desta quinta-feira, 21.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontando a causa da morte deve sair em até 10 dias.

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