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Tocantins, 29 anos: 12 de tragédias políticas e econômicas

Artigo 11 de Oct de 2017 - 08h32, atualizado às 10h39
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TADEU ZERBINI
É economista, especialista em Gestão Pública, professor e consultor
ctzl@uol.com.br
Estimados leitores e leitoras! Como vocês estão? Prontos para receberem o período de chuvas? Chega de calor, queimadas, fumaça e tantos outros dissabores, não é mesmo? Já compraram os presentes das crianças? O dia das crianças deixa todo mundo feliz, pois representa o dia do amor incondicional, amor este que tanto procuramos encontrar. O sorriso de uma criança não tem dinheiro que pague. Limpa nossas almas e alegra nossos corações.

Vocês já ouviram dizer que funcionários públicos demitiram um governador? Pois é, isto pode acontecer aqui no Estado do Tocantins, caso a Assembleia Legislativa venha a condenar o Governador pelas denúncias oferecidas pelo Sindicato de Servidores Públicos. Um presidente da Assembleia arquiva o pedido e outro desarquiva, demonstrando que a questão não é de cunho legal, mas sim de cunho político e de interesses que não são explicados ao grande público. Será que existem outros interesses por trás? Deixo a resposta com as senhoras e senhores.

Acontece, que com o possível afastamento do Governador, mais uma vez, o cenário se repete nesses 12 últimos anos, nos levando ao retrocesso, incertezas e total desprestigio para o Estado, que fica inviabilizado no Brasil e no exterior. Quem vai investir em um Estado com um elevado risco de descontinuidade das políticas públicas? Isto tem que parar. A busca pelo poder deve ser feita por meio do voto e não por outros critérios que desestabiliza nosso futuro e gera mais desconfiança em nossa economia e em nossas vidas.

Vocês alguma vez ouviram dizer que um Estado fez empréstimo, onerando os cofres públicos, para pagar emendas de parlamentares? Pois é, isto está acontecendo aqui no Tocantins. A Constituição Brasileira é bem clara quando define que os poderes são independentes. Mas não serve para o Estado do Tocantins. A Assembleia está fazendo o papel que é do Poder Executivo. Seria melhor não fazer o empréstimo, ou melhor, seria melhor que não desse tempo do empréstimo ser aprovado até o próximo ano.

Estou acompanhando os movimentos de vários políticos por todo o Estado, em busca de soluções milagrosas para a gestão do Estado do Tocantins e para suas dificuldades econômicas e sociais. São diversas frentes que prometem resolver os problemas financeiros e sociais do Estado. Não sei o que vão propor, pois se o país não voltar a crescer, não acontecerá nada de novo. O Estado gasta 60% da sua receita com servidores públicos e os outros quase 40% são gastos com custeio da máquina. Acredito, que no curto prazo, a solução são empréstimos para se realizar investimentos e não para agradar os deputados e prefeitos do nosso Estado. Se for para agradar deputados, Isto vai custar muito caro, porque para o Estado fazer investimentos, não precisaria pagar emendas de deputados. Essas emendas devem ser extintas antes que seja tarde demais e não podem ser moedas de trocas. O Executivo vai ficar refém do Legislativo para sempre.

Tem político aí que está até prometendo acabar com o tráfico de drogas, com a criminalidade e com a falta de segurança em nosso Estado. Nem o exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Força de Segurança Nacional, a Polícia Federal, as Polícias Militares, as Polícias civis e as secretarias de segurança juntas, não estão conseguindo fazer isto em diversos lugares do Brasil. Parece até piada para se conseguir votos. Acontece que as redes sociais e o amadurecimento do eleitor vão cobrar uma postura mais digna dos candidatos no próximo ano. Estão perdendo a oportunidade de mudarem o discurso e as promessas que estão fazendo aos eleitores.

A situação econômica do Estado do Tocantins não está tão ruim como estão falando para vocês. A crise econômica do Brasil, iniciada em 2014, atingiu as finanças de todos os Estados brasileiros. O Tocantins está muito melhor do que o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e tantos outros. O crescimento negativo do PIB por vários períodos, a inflação alta, o desemprego e outros fatores que aconteceram de 2014 até agora abalou todas as economias estaduais, que dependem de transferências da União. A Operação Lava Jato, assim como outras, paralisaram a nação. Os pedidos de afastamento e a criminalização imposta ao Presidente da República, também paralisa a economia. O FPE diminuiu, os recursos da saúde e da educação, também. E aí pergunto: a culpa é dos governadores?

Para os senhores e senhoras terem uma ideia da situação, até a Lei de Responsabilidade Fiscal, no seu Artigo 66, dobra o tempo para os Governos resolverem os seus problemas com os índices obtidos entre as suas folhas de pagamento e suas receitas correntes líquidas. O país não cresce, portanto os Estados também não crescem. Simples assim.

No site do Ranking de Competividade dos Estados, do ano passado para cá, o Estado do Tocantins saiu da 19ª colocação para a 16ª, ou seja, avançou, deixou mais três Estados para trás. Hoje, o Tocantins é mais competitivo do que os Estados de Pernambuco, Bahia, Pará e Alagoas. Até um tempo atrás era um dos piores. Como isto aconteceu?

Temos que acabar com este discurso de que o Estado do Tocantins está quebrado e falido. Temos que defender nosso Estado com unhas e dentes. Temos que avançar e deixar a política para o período eleitoral. Já tivemos experiências suficientes, nesses 12 anos, para continuarmos a persistir em trilhar caminhos que somente atendem os interesses de uma minoria ávida pelo poder.

Somos um Estado jovem e promissor, mas do jeito que algumas pessoas e políticos estão agindo, vamos ser condenados a um futuro medíocre e desolador, mesmo que aqui exista mulher mais macho que muitos machos tocantinenses.

Nossa economia precisa de seriedade para evoluir. Chega de aventuras desnecessárias e inconsequentes. Por que algumas pessoas querem, desesperadamente, serem governadores ou governadoras de um Estado “falido”, “pobre” e quente para caramba? Ainda acredito que seja por amor ao povo tocantinense. Rsrs......

E vão dizer que estou puxando o saco do governador. Paciência.

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