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David Torres garante que vai aproveitar estudo da Cenovo; Mourão prevê vetos do Palácio Araguaia

LUÍS GOMES, DA REDAÇÃO 08 de Nov de 2017 - 18h23, atualizado às 18h55
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Foto: Divulgação | Montagem: CT
David Torres: "Vamos aproveitar o trabalho”; Paulo Mourão: "Não acredito que vá aproveitar este documento"

O relatório da Comissão Especial de Estudos para o Novo Ordenamento Econômico, Administrativo, Social e Político do Tocantins (Cenovo) foi finalmente entregue nesta quarta-feira, 8, mas a principal dúvida era se o Palácio Araguaia realmente levaria em consideração o documento na elaboração das peças orçamentárias do Estado. Segundo o secretário de Planejamento, David Torres, os dados serão sim aproveitados pelo Executivo. Por outro lado, o presidente da Cenovo, Paulo Mourão (PT), demonstrou pessimismo e prevê vetos a qualquer mudança no Plano Plurianual (PPA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA) a ser realizadas pelos deputados.

Ao fim da sessão da Cenovo, o CT conversou com David Torres, que destacou a atuação da comissão, apesar de afirmar que o Estado já tem medidas semelhantes de consulta à população. “Para nós foi até importante. Quando fizemos nosso Plano Plurianual (2016 a 2019), tivemos audiências públicas. Então tem um defasagem de dois anos. Vamos analisar estes documentos, claro. Temos nosso planejamento estratégico, nosso PPA, que é o documento legal e constitucional, e este aqui [relatório] será uma contribuição boa para a gente verificar”, garantiu.

Questionado se o governo utilizaria os dados levantados pela comissão nas peças orçamentárias deste ano, David Torres revelou já ter elaborado os textos, entretanto, disse que as mudanças podem acontecer nas discussões parlamentares. “Já encaminhei os Projetos de Lei para Casa Civil, mas no debate na Assembleia Legislativa a gente poderá utilizar as considerações do Cenovo”, disse o secretário, que voltou a destacar o planejamento do governo. “A maioria das ações já consta no nosso PPA, mas é importante esta consulta pública, e tenho certeza que vamos aproveitar o trabalho”, reforçou.

David Torres ainda aproveitou para lamentar o comprometimento da receita com o funcionalismo. “A questão é histórica, são salários altos, mas praticamente 65% é despesa de pessoal”, alertou. Porém, o secretário adotou em seguida um discurso otimista e em defesa dos financiamentos. “A capacidade de investimento está em 5%; somos o 12º do Brasil. Tenho certeza que estamos recuperando. Existe críticas na questão do empréstimo, não entendo que seja ruim para o Estado, nós temos capacidade, e isso fomenta”, finalizou.

“Atual governo fadigou”
Presidente da Cenovo, Paulo Mourão foi extremamente crítico ao Palácio Araguaia e prevê que o estudo será deixado de lado pela administração. “Nós temos feito todo esse trabalho, mas acredito que o atual governo fadigou, cansou, não consegue pensar ideias novas. Não acredito que vá aproveitar este documento, sinceramente”, avaliou. O petista disse ter respeito pelo secretário, mas não vê suas palavras garantidoras. “Com todo respeito que tenho ao David Torres, a competência que reconheço dele, mas não tem decisão política, quem tem é o governo do Estado”, destacou.

Sobre o trâmite das peças orçamentárias, Paulo Mourão projeta mudanças no texto, mas com a certeza de que o Estado não as manterá. “Vamos sim debater, fazer emendas, mas o governo, com certeza, irá vetá-las depois. Por isso estamos pedindo a pressão da cidadania”, comentou o deputada, pedindo participação popular nas discussões. Na avaliação do petista, o estudo ficará outra administração. “Creio que isto [o relatório] vai ser para que o próximo governador possa entrar com a metodologia e um pensar qualificado e inovador”, afirmou.

“O Estado ainda vive um processo de ideia colonialista, retrógrada. Asfalto é que o atual governo pensa; estradas pavimentadas e pontes. Ainda não conseguiu entender que a ponte que vai dar maior segurança ao desenvolvimento do Estado é da educação. Não acredito que saiam deste modelo político exacerbado e equivocado, que é o que aprofundou a pobreza, as desigualdades sociais, e que agora está quebrando, literalmente o Estado”, acrescentou Paulo Mourão, afirmando que o Tocantins tem apenas 1,2% da Receita Corrente Líquida para investir, discordando do dado apresentado por David Torres.

O deputado estadual ainda comparou as administrações do presidente Michel Temer (PMDB) e do governador Marcelo Miranda (PMDB). “O atual governo federal está trazendo para a pobreza 3,6 milhões brasileiros, que vão viver com menos de meio salário mínimo por mês. E o mesmo retrato do governo do Tocantins, que por sinal é do mesmo partido, com as mesmas prioridades”, concluiu.

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