No pós-operatório de catarata, os colírios mais usados costumam se dividir em quatro grupos: antibiótico, anti-inflamatório (geralmente corticoide e, em alguns casos, anti-inflamatório não esteroidal), lubrificante e, quando necessário, colírio para pressão ocular. Em termos práticos, o esquema é montado para evitar infecção, controlar inflamação, reduzir dor e edema, e proteger a cicatrização. O nome exato do colírio e o tempo de uso variam conforme o cirurgião, o tipo de lente, o estado da córnea e fatores de risco como diabetes, olho seco e glaucoma.
Se você quer uma resposta rápida e útil, guarde esta regra: não existe “um colírio único” universal após catarata.
Existe um plano em camadas, e é justamente essa combinação que aumenta a segurança e a qualidade do resultado. A seguir, você vai ver os colírios mais comuns, o que cada um faz, como organizar horários, o que não misturar e quando voltar ao médico.

Os colírios mais comuns após cirurgia de catarata
1) Colírio antibiótico
Para que serve
- Prevenir infecção no período inicial após a cirurgia, quando o olho ainda está em recuperação e mais vulnerável.
Como costuma ser usado
- Uso mais curto, geralmente concentrado na primeira fase do pós-operatório.
O que você deve observar
- Se houver ardor leve ao pingar, pode acontecer, mas dor forte e piora progressiva não são esperadas.
2) Colírio corticoide (anti-inflamatório)
Para que serve
- Reduzir inflamação, diminuir vermelhidão, controlar resposta do olho à cirurgia e favorecer cicatrização.
Como costuma ser usado
- Frequentemente começa com doses mais frequentes e vai reduzindo aos poucos ao longo das semanas, conforme orientação.
Ponto de atenção
- Em algumas pessoas, corticoide pode aumentar pressão ocular. Por isso o retorno pós-operatório é essencial.
3) Anti-inflamatório não esteroidal (AINE)
Para que serve
- Reduz dor e inflamação e pode ajudar a prevenir ou controlar edema macular em perfis de risco.
Quem costuma se beneficiar mais
- Pessoas com diabetes, histórico de edema macular, inflamação mais intensa ou risco elevado de inchaço retiniano.
Como costuma ser usado
- Pode ser indicado por dias ou semanas, conforme o caso.
4) Colírio lubrificante
Para que serve
- Tratar ressecamento e sensação de areia, melhorar conforto e qualidade visual durante a cicatrização.
Por que é tão importante
- Olho seco após catarata é comum e pode causar visão oscilante. Lubrificar melhora conforto e reduz variações de nitidez.
5) Colírio para pressão ocular (quando indicado)
Para que serve
- Controlar aumento de pressão no pós-operatório, especialmente em quem já tem glaucoma, suspeita de glaucoma ou aumento de pressão durante recuperação.
Importante
- Nem todo paciente precisa. É prescrito conforme medida e risco.
Tabela rápida: qual colírio é para qual objetivo
| Grupo de colírios | Objetivo principal | Quando costuma entrar | Duração típica |
| Antibiótico | Prevenir infecção | Primeiros dias | Curta |
| Corticoide | Controlar inflamação | Desde o início | Semanas, com desmame |
| AINE | Dor, inflamação e edema macular | Casos selecionados ou protocolo | Dias a semanas |
| Lubrificante | Conforto e estabilidade da visão | Desde cedo | Conforme necessidade |
| Pressão ocular | Evitar pico de pressão | Quando indicado | Conforme controle |
Como usar os colírios do jeito certo: o que realmente evita complicações
Ordem e espaçamento
Quando há mais de um colírio, o mais seguro é:
- Espaçar as aplicações para não “lavar” um colírio com o outro
- Aguardar alguns minutos entre cada gota
- Evitar pingar tudo na mesma hora
Técnica simples para aplicar melhor
- Lave bem as mãos
- Olhe para cima e puxe suavemente a pálpebra inferior
- Pingue uma gota sem encostar o frasco no olho
- Feche o olho por alguns segundos sem apertar
- Se escorrer, limpe com cuidado, sem esfregar
Como reduzir o gosto amargo e a absorção sistêmica
Uma técnica útil é comprimir suavemente o canto interno do olho por alguns segundos após pingar. Isso pode reduzir escorrimento para o nariz e garganta.
Esquema de horários: exemplo prático para organizar o dia
A organização depende da sua prescrição, mas este modelo ajuda a visualizar.
Exemplo de rotina com quatro colírios
Manhã
- Antibiótico
- Corticoide
- Lubrificante
Almoço
- Corticoide
- AINE
Tarde
- Lubrificante
Noite
- Antibiótico
- Corticoide
- AINE
- Lubrificante
O ponto aqui não é copiar. É entender que um bom esquema costuma:
- Repetir anti-inflamatório em mais de um horário no início
- Manter lubrificante ao longo do dia
- Encerrar antibiótico mais cedo
- Desmamar corticoide aos poucos, nunca de forma abrupta sem orientação
O que muda o seu esquema de colírios: fatores que fazem o médico ajustar
1) Diabetes
Quem tem diabetes pode ter mais risco de inflamação e edema macular, e por isso pode receber AINE com mais frequência ou por mais tempo.
2) Glaucoma ou pressão ocular alta
Pode ser necessário:
- Monitorar pressão com mais retornos
- Usar colírio específico para pressão por período curto ou prolongado
- Ajustar corticoide se houver pico de pressão
3) Olho seco e blefarite
Quem tem ressecamento e inflamação de pálpebras pode precisar de:
- Lubrificantes com maior frequência
- Higiene palpebral orientada
- Ajustes para melhorar qualidade visual
4) Cirurgia mais complexa
Em casos de:
- Catarata muito dura
- Pupila pequena
- Ruptura de cápsula ou outras intercorrências
o esquema pode ser mais intenso e prolongado.
5) Lente intraocular e objetivo visual
O tipo de lente não define colírio sozinho, mas pode influenciar:
- Sensibilidade a pequenas alterações de superfície ocular
- Percepção de halos ou oscilação, exigindo cuidado maior com lubrificação
Novidades e o que tem mudado no pós-operatório de catarata
Nos últimos anos, algumas tendências têm ganhado espaço e podem impactar o tipo e a forma de usar colírios:
1) Esquemas mais personalizados
Em vez de um protocolo rígido igual para todos, muitos cirurgiões ajustam conforme:
- Grau de inflamação
- Risco de edema macular
- Pressão ocular
- Conforto e olho seco
2) Foco maior em olho seco
Há mais consciência de que parte da reclamação de visão ruim após catarata não é a lente e sim a superfície ocular. Por isso, lubrificantes e cuidados com pálpebras têm sido mais valorizados.
3) Alternativas para reduzir número de gotas em casos selecionados
Em alguns serviços, há estratégias que buscam diminuir dependência de múltiplos frascos, mas isso varia por acesso, protocolo e perfil do paciente. Ainda assim, a realidade da maioria é: colírios continuam sendo o padrão mais usado na rotina pós-operatória.
O que não fazer com colírios após catarata
Evite erros comuns
- Parar corticoide de um dia para o outro sem orientação
- Pingar mais vezes para tentar enxergar melhor
- Emprestar colírio de outra pessoa
- Encostar a ponta do frasco no olho
- Usar colírios antigos guardados em casa
- Misturar com colírios “para alergia” sem autorização do cirurgião
Atenção com automedicação
Alguns colírios usados para vermelhidão ou alergia podem piorar ressecamento e irritação, além de mascarar sinais importantes.
Quando procurar o médico antes do retorno marcado
Volte ao serviço se ocorrer:
- Dor forte ou piora progressiva
- Queda súbita de visão
- Vermelhidão intensa que aumenta
- Secreção significativa
- Sensibilidade à luz muito acima do esperado
- Sensação de sombra ou cortina no campo visual
Muitos desconfortos leves são comuns, mas esses sinais merecem avaliação rápida.
Perguntas frequentes
Posso usar lubrificante junto com os colírios do pós-operatório
Em geral, sim, e muitas vezes é recomendado. A regra é espaçar e seguir a orientação sobre frequência.
Se eu esquecer uma dose, dobro a próxima
Não. Em geral, retome o esquema normal. Se você estiver esquecendo com frequência, vale organizar alarmes e revisar a rotina.
Posso pingar colírio gel ou pomada
Alguns médicos indicam gel ou pomada à noite para ressecamento, mas não é universal. Deve ser avaliado caso a caso.
Posso lavar o olho ou usar soro fisiológico
Em geral, higiene suave é possível, mas esfregar o olho não. Soro pode ser usado em situações específicas, mas não substitui lubrificante e não deve ser feito de forma agressiva.
Como saber se o problema é falta de óculos ou colírio
Após catarata, visão embaçada pode ter causas diferentes. Indícios de superfície ocular e colírio:
- Visão oscila ao longo do dia
- Melhora depois de lubrificar
- Piora com tela e ar condicionado
Indícios de grau residual:
- Visão estável, porém não fica nítida em nenhuma hora
- Melhor com teste de lente no consultório
- Persistência após semanas de estabilização
A importância do desmame do corticoide
Muitos esquemas reduzem a frequência gradualmente. Isso existe para:
- Evitar rebote inflamatório
- Permitir que o olho estabilize com segurança
- Monitorar pressão ocular durante o processo
Como melhorar conforto em quem trabalha muito com tela
- Pausas frequentes
- Piscar deliberadamente
- Ajustar brilho e contraste
- Evitar vento direto no rosto
- Usar lubrificante em horários estratégicos
Conclusão
No pós-operatório de catarata, os colírios mais usados costumam incluir antibiótico para prevenir infecção, corticoide para controlar inflamação, anti-inflamatório não esteroidal em casos selecionados e lubrificante para conforto e estabilidade visual, além de colírio para pressão ocular quando necessário. O esquema ideal é individual, muda conforme risco e resposta e deve ser seguido com técnica correta e espaçamento entre gotas. Se houver dor intensa, piora súbita de visão ou vermelhidão forte, a orientação é buscar avaliação antes do retorno marcado, porque no pós-operatório a rapidez em reconhecer sinais de alerta protege o resultado da cirurgia.
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